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Carrefour: novo modelo promocional, e-commerce e consumo doméstico devem continuar

A pandemia de Covid-19, segundo a gestão do Carrefour Brasil, trouxe a necessidade de implementar uma série de mudanças estruturais. Algumas delas, na visão da empresa, devem ser mantidas mesmo após a crise. São elas o novo modelo promocional adotado pela rede, a aceleração do e-commerce e o hábito de “cozinhar em casa”, que aumentou as vendas. Após conversar com a gestão, o UBS mantém recomendação Neutra para as ações, com preço-alvo de R$ 21,50.

Às 15h55, os papéis do Carrefour (SA:CRFB3) eram negociados a R$ 20,66, em baixa de 2%.

Apesar de ter tido de se adaptar, as vendas do grupo, tanto das lojas Carrefour quanto as Atacadão, subiram no segundo trimestre, apoiadas pelo instinto dos consumidores de encherem suas despensas e pelo maior consumo doméstico. As tendências permanecem fortes no terceiro trimestre, apesar da reabertura de lojas não essenciais e do aumento da mobilidade.

Durante a pandemia, a rede realizou alterações em seu modelo promocional, como mencionado. De acordo com a gestão, o mercado de alimentos no Brasil tem uma atividade promocional muito intensa, com uma média de 40% dos itens com algum desconto (vs. 20% na Europa). Agora, o varejo do Carrefour diminuiu a porcentagem de itens com desconto para 30% e manteve a quantidade de dinheiro investida em preços, o que tem se traduzido em vendas mais altas e margens melhores.

A segunda tendência que veio para ficar é o aumento do e-commerce, cujas vendas para a marca Carrefour dispararam no segundo trimestre, aumentando sua participação no total de vendas de 2% para cerca de 8%. De acordo com a gestão, esse canal ajudou a aumentar a frequência de compras e atingir uma nova base de clientes, de segmento premium, que valorizam conveniência.

Nessa frente, há também a venda de produtos não-alimentícios, sobretudo eletrônicos, em que a penetração do e-commerce já é de 40%. Segundo a empresa, as tendências do terceiro trimestre são fortes, apesar da reabertura das lojas.

O grupo adquiriu ainda uma plataforma de marketplace focada no segmento B2B, que opera com menos vendedores do que marketplaces de varejo e cobra taxas de entrega. A ideia é que o Atacadão passe a ser um dos vendedores da plataforma.

Finalmente, a expansão do home office e a redução das jornadas de trabalho fez com que as pessoas cozinhassem mais em casa, aumentando o consumo doméstico.

Um fator que pode apresentar risco para as vendas do grupo é a inflação dos alimentos. No segmento de varejo, o Carrefour congelou os preços de sua marca própria no começo da pandemia, ganhando participação. Em outros produtos, o Carrefour foi capaz de segurar o aumento de preços por algum tempo mas, recentemente, teve de repassar os aumentos para os consumidores.

Já o Atacadão tem um bom relacionamento com os fornecedores e antecipa as compras em 2 ou 3 meses de acordo com suas expectativas de inflação de alimentos. Segundo a gestão, o foco em segurar os preços para crescer as vendas e consolidar o mercado é a estratégia certa para o longo prazo, em vez de um ganho de curto prazo nas margens.

Fonte: BR Investing