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Cacau Show busca alternativas para vendas de Páscoa

A fabricante de chocolates Cacau Show está buscando formas criativas de vender 15 milhões de ovos de Páscoa em meio à crise causada pelo coronavírus. O feriado é daqui nove dias e expectativa do mercado é desanimadora.

Uma das esperanças da empresa, que tem 2.300 lojas espalhadas pelo país, é de conseguir abrir suas unidades ainda antes da data comemorativa. A justificativa é de que a rede vende produtos perecíveis, com prazo curto de vencimento. “Temos conversado com os governos para sensibilizá-los. Se não vendermos os ovos, eles vão estragar. É diferente de sapato e calça jeans. Se um supermercado pode abrir e vender ovos de Páscoa, uma loja de chocolates também deveria poder”, disse à EXAME o presidente da empresa, Alexandre Costa. Atualmente, a grande maioria das unidades está fechada. Segundo a empresa, alguns estados permitiram a abertura de lojas de rua, com restrições.

Até que a questão seja decidida, a companhia reforçou sua operação de e-commerce e também montou um modelo de drive-thru nas lojas. Nessa modalidade, o cliente compra o produto pelo site e busca em uma unidade, onde um funcionário leva o produto até o carro. A modalidade está funcionando em cerca de 30 unidades e deve ser expandida ao máximo possível nos próximos dias. Já as vendas no e-commerce, que antes da crise representavam 3% das vendas totais da empresa, hoje chegam a 25% dependendo do dia.

A pandemia de coronavírus pegou a fabricante já com todos os ovos de Páscoa produzidos. São 15 milhões de unidades, 10% mais do que no ano passado. A data representa 25% do faturamento da empresa, que foi de 3,5 bilhão de reais em 2019. Historicamente, os cinco dias que precedem a Páscoa respondem por 50% das vendas de ovos para a Cacau Show. “Estou muito preocupado com o que vai acontecer com as empresas Brasil afora. Esse é o momento em que as empresas do setor colocam as contas em dia, é um mês que representa três meses de vendas”, afirma Costa.

O empresário tem feito encontros virtuais com os franqueados da marca a cada 15 dias e está vendendo os ovos de chocolates a esses parceiros com desconto. Também doou 1 milhão de reais ao governo do estado de São Paulo para compra de materiais como respiradores. A fábrica da companhia está fechada e os funcionários do setor de produção estão em férias coletivas. Na parte administrativa, 80% estão trabalhando de casa ou de férias, e 20% continuam indo ao escritório, em especial aqueles que atuam no suporte a franqueados e no atendimento ao cliente do e-commerce.

Delivery e Whatsapp

Outras empresas do setor estão adotando práticas semelhantes para garantir ao menos uma parte das vendas. A Casa Bauducco, rede de lojas da Bauducco que vende produtos artesanais, dentre eles colombas e chocolates para a Páscoa, está com todas as unidades fechadas para o público, mas continua atendendo clientes via delivery próprio e parceiros como iFood e Loggi. A rede também reforçou a comunicação nas redes sociais, divulgando telefone e informações das lojas para quem quiser fazer uma encomenda.

A Hershey inaugurou sua plataforma de comércio eletrônico em meio à pandemia. Além disso, intensificou a presença em marketplaces parceiros e agora está presente em plataformas do Carrefour, Magazine Luiza, Mercado Livre, OLX e outros. “O e-commerce já estava nos nossos planos, mas aceleramos o lançamento por causa da pandemia do coronavírus”, diz Marcel Sacco, gerente geral da Hershey Brasil e América Latina. De acordo com ele, é essencial estar em canais digitais, ainda mais nesse momento em que muitos consumidores estão testando as compras online pela primeira vez.

A Hershey também criou uma loja própria dentro do aplicativo de delivery Rappi. “Vemos uma mudança de comportamento do consumidor, que está pedindo mais refeições no aplicativo já que não pode sair para comer. Temos que estar nesse canal”, diz Sacco.Para estar mais presente nesses aplicativos de delivery, a fabricante de doces lançou uma linha profissional, voltada ao food service, que pode ser usada pelos restaurantes para criar sobremesas.

Sobre a páscoa, os produtos da marca lançados para a ocasião, como novas barras importadas e caixas presenteáveis, têm uma vantagem: não são sazonais. “Nossos produtos não têm embalagens com coelho ou orelha, podem permanecer na gôndola por mais tempo”, afirma o executivo. A empresa não atua com ovos de chocolate, então acredita que nesse momento sofrerá menos com quebra de preços. Segundo Sacco, as compras de páscoa são feitas principalmente na véspera em uma corrida pelos ovos nos supermercados, o que não irá acontecer esse ano. Muitos ovos também são comprados por pedidos das crianças, que vão juntos ao mercado com os pais, o que também está sendo evitado.

A Lacta investiu na expansão de sua atuação em e-commerce por meio de um site e de firmou uma parceria com apps de entrega, para estimular a troca de presentes mesmo à distância. A marca doará mais de meio milhão de ovos de Páscoa para diversas entidades e instituições que atendem pessoas em vulnerabilidade social. Anualmente, a marca já doa 10.000 ovos na chamada Páscoa Solidária, mas ampliou o número em 50 vezes.

O contato direto com o cliente tem sido a alternativa das chocolaterias artesanais, com a Cuore di Cacao, em Curitiba (PR). A marca está fazendo vendas via Whatsapp e pelo site, que pode ser acessado aqui. As entregas são gratuitas para compras acima de 50 reais. Assim como a Cacau Show, a Cuore também funciona no sistema de drive thru, em que o cliente faz a encomenda e busca o produto na loja sem precisar sair do carro.

Em nota, a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab), afirma que “as indústrias estão trabalhando em conjunto com os pontos de enda para garantir a organização e disponibilidade dos produtos, além de também estarem fortalecendo seus serviços de atendimento via internet e por delivery como alternativas aos consumidores para o acesso aos produtos.”

Fonte: Exame