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No Brasil, grifes têm chance de faturar mais

O brasileiro endinheirado, que prefere comprar roupas e acessórios quando viaja ao exterior, deve reduzir esse tipo de passeio por causa da pandemia

As grifes de luxo que operam no Brasil têm a chance de atrair um número maior de clientes de alta renda nos próximos meses. O brasileiro endinheirado, que prefere comprar roupas e acessórios quando viaja ao exterior, deve reduzir esse tipo de passeio por causa da pandemia.

Os grupos JHSF e Iguatemi, donos de centros comerciais especializados nesse tipo de comércio, dizem que este é um cenário provável. “É certo que as viagens, pelo menos em um primeiro momento, estarão limitadas. Este é um fator que pode beneficiar o varejo local. Contudo, não há como prever com exatidão como será comportamento do consumidor”, diz Robert Bruce Harley, CEO da JHSF Malls.

A diretora financeira e de relações com investidores da Iguatemi, Cristina Betts, diz que com “menos apetite do cliente para viajar”, a expectativa é de um efeito positivo para as lojas de artigos de luxo no país “Já vimos isso antes, na crise do subprime [hipotecas de alto risco] em 2008. O shopping acaba sendo a opção de lazer e de compras. É bastante provável que isso aconteça mas é difícil dizer agora qual vai ser o tamanho [dessa demanda]”, observa a executiva.

Enquanto as lojas físicas não podem abrir as portas em diversas partes do país, pois há risco de a covid-19 se alastrar ainda mais, Iguatemi e JHSF apostam em suas plataformas digitais para vender produtos.

A joalheria Tiffany e as grifes Dolce & Gabanna e Polo Ralph Lauren, por exemplo, já foram integradas à plataforma de e-commerce Iguatemi 365. “E estão indo muito bem”, afirma Cristina, sem divulgar números. Durante a pandemia, a plataforma de comércio eletrônico também ganhou a adesão da marca tradicional de cristais Baccarat, que não tem loja física em shoppings da Iguatemi.

Harley diz que o CJ Fashion, o canal de vendas online da JHSF, já reúne mais de 300 marcas e que neste ano, até agora, as vendas cresceram 334%, em relação a igual período do ano passado.

A desvalorização do real frente ao euro e ao dólar deve deixar os produtos importados mais caros. “É inevitável”, diz Harley. Mas o público de alta renda, acostumado a parcelar suas compras no cartão de crédito, vai continuar contando com essa opção. Eventuais descontos e promoções, alinhados com as matrizes das grifes, também “serão parte de uma estratégia para conquistar o consumidor”, diz Harley.

Fonte: Valor Econômico