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Venda de alimentos pela web engatinha no Brasil

As vendas de alimentos e bebidas pela internet vão crescer menos no Brasil do que no resto do mundo entre 2017 e 2022. É o que aponta o estudo Tetra Pak Index, que será divulgado no país nesta quarta-feira. A pesquisa está em sua 11ª edição e foi feita com base em entrevistas e estudos realizados pela Tetra Pak e estudos encomendados às empresas de pesquisa Euromonitor International, Frost & Sullivan, PlanetRetail e Toluna.

No mundo, o comércio on-line de alimentos e bebidas crescerá, em média, 17,4% ao ano entre 2017 e 2022, saindo de US$ 44,5 bilhões movimentados no ano passado para US$ 99,2 bilhões ao fim do período. Com esse desempenho, a web, que representou 2% do varejo total de alimentos e bebidas em 2017, responderá por 4,6% das vendas globais desses produtos, afirmou Alexandre Carvalho, diretor de serviços de marketing global da Tetra Pak e responsável pelo estudo.

No Brasil, as vendas on-line de alimentos e bebidas crescerão, em média, 6,5% ao ano entre 2017 e 2022, passando de US$ 75 milhões para US$ 102,8 milhões. No ano passado, o comércio eletrônico representou 0,2% do mercado brasileiro de alimentos e bebidas. A previsão é que esse índice suba para 0,8% até 2022.

“Apesar de o Brasil ter uma das dez maiores operações de comércio eletrônico do mundo, movimentando US$ 21 bilhões por ano, o país ainda é resistente à compra on-line de alimentos e bebidas”, disse Carvalho.

Na avaliação do executivo, isso ocorre porque os consumidores brasileiros têm uma ligação emocional mais forte com as lojas físicas do que em outros países. “No Brasil, ir ao shopping ou ao supermercado é um programa para muitas pessoas”, disse.

Carvalho também ponderou que falta no Brasil um grande competidor disposto a investir fortemente para impulsionar as vendas de alimentos pela internet, como a Amazon nos Estados Unidos, e o Alibaba, na China. “Se algum grande competidor decidir alavancar as vendas no Brasil, o varejo digital de alimentos e bebidas pode ter um avanço mais rápido do que o previsto pelo estudo”, afirmou.

De acordo com o levantamento, no Brasil, a compra de alimentos e bebidas está concentrada em canais como supermercados, hipermercados e lojas de conveniência. Em 2017, esse varejo respondeu por 51,8% das vendas da categoria. Até 2022, essa participação será reduzida para 47,3%, perdendo espaço para as lojas virtuais.

Carvalho disse que os supermercados e hipermercados lideram esforços para fazer a venda digital ou multicanal de alimentos e bebidas. Por isso, na prática, não perderão espaço. Segundo dados da consultoria Ebit, adquirida em julho pela Nielsen, a venda on-line da categoria no Brasil é liderada por Grupo Pão de Açúcar, Sonda, Zona Sul Supermercados e Mambo.

Carvalho também pondera que as vendas digitais podem ser impulsionadas por novos serviços de entrega, como o Uber Eats e o iFood, na área de refeições prontas.

Canais mais tradicionais, como mercearias, mercados e adegas, representaram 37,3% do varejo de alimentos e bebidas em 2017. Até 2022, segundo o estudo, a participação deles ficará praticamente estável, atingindo 37,2%.

 

Fonte: Valor Econômico