As vendas online feitas por empresas brasileiras totalizaram R$ 110,1 bilhões, dos quais R$ 87,4 comprados de sites no Brasil e R$ 22,7 bilhões comprados de sites internacionais via cross border. A penetração digital chegou a 6,3% do varejo brasileiro, o que confirma a forte aceleração digital promovida pelo impacto da pandemia nas jornadas de compra de consumidores e nas modalidades de venda do varejo.

Avaliando o desempenho do varejo em 2020 é possível identificar tendências e desafios para o futuro. O varejo brasileiro como um todo teve crescimento nominal de 6%, enquanto o comércio eletrônico cresceu 41%, o que representa a maior diferença em uma década.

Marketplaces – ao se detalhar o crescimento do comércio eletrônico, as vendas de empresas que operam marketplace aumentaram 52%, alcançando 84% de todo o varejo digital brasileiro. Ou seja, confirma-se a tendência de crescente domínio de marketplaces, plataformas e ecossistemas no varejo digital. Teremos um grande “congestionamento de marketplaces” no mercado brasileiro, com o avanço das grandes plataformas multicategoria (como Mercado Livre, B2W, Amazon, Magalu, GPa, Carrefour, Via Varejo), dos marketplaces verticais especializados (como Dafiti, ZZ Mall, +Soma, Galeria C&A, Renner, Riachuelo, Marisa, Iguatemi 365, Cobasi, Petz, PanVel, RD, Centauro) e os super apps (como ifood, Rappi, Uber Eats, Inter, Dotz). As empresas que não conseguirem implantar e escalar marketplaces terão que aprender a se relacionar com eles.

Cross Border – o Brasil teve crescimento de 76% nas vendas online feitas do exterior diretamente para consumidores brasileiros. O ecommerce cross border chegou à impressionante marca de 21% das compras online feitas por consumidores brasileiros. Quase 50% dos compradores online no Brasil já compraram de marketplaces como AliExpress, Wish, Shopee e Shein. A melhora no nível de serviço – via redução nos prazos de entrega e custos de frete – aumento de comunicação para conquista de clientes e recorrência vem permitindo a operadores internacionais aumento de penetração no mercado brasileiro. O cross border não impõe às empresas tradução de rótulo e embalagens, conformidade ao código de defesa do consumidor, e certificação de produtos. Empresas e marcas brasileiras poderiam intensificar iniciativas de venda ao exterior usando cross border para penetrarem novos mercados – sobretudo na China – e internacionalizarem suas operações.

Os dados do varejo e comércio eletrônico brasileiros confirmam o processo de aceleração digital, aumento de maturidade digital de consumidores e empresas e o desafio de lidar com o peso crescente dos marketplaces e das vendas via cross border no ambiente digital no Brasil.

Alberto Serrentino – fundador da Varese Retail. Consultor, palestrante internacional, autor, conselheiro de empresas e vice presidente da SBVC