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Estapar compra rival baiana WellPark

27/08/2015 às 05h00

Por João José Oliveira | De São Paulo

A Estapar, maior operadora de estacionamentos do país, comprou a WellPark, com sede em Salvador e 90 operações em seis Estados do Nordeste. Essa aquisição integra o plano de expansão da companhia controlada pelo BTG Pactual, que planeja fechar 2015 com receita bruta de R$ 960 milhões, um aumento de 25% em relação a 2014. “Estamos crescendo dentro da meta”, disse o presidente da Estapar, André Iasi. Segundo ele, a compra da WellPark, que conta com 32 mil vagas de estacionamento, compõe o plano de investimentos previstos para este ano, de R$ 200 milhões, volume 30% superior ao investido em 2014. O executivo não revelou o valor da aquisição. Iasi afirma que a transação consolida a presença da Estapar no Nordeste ­ agora, a região passa a concentrar 12% das vagas da companhia. “Os sócios da WellPark serão nossos executivos no Nordeste, para prospectar novos negócios e oportunidades de expansão”, acrescentou o executivo, referindose a Jorge Novaes, ex­controlador da companhia baiana, que atua ainda em Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará. O negócio será pago com troca de ações e dinheiro, disse Iasi. A Estapar mantém a estrutura de capital. O BTG segue com cerca de 67,7% da companhia. O Bozano tem 16,4%& 894; o Templeton outros 8,7%, e demais acionistas somam 7,2% das ações. O presidente da Estapar disse que a empresa não vai fazer novas aquisições no médio prazo. Segundo ele, após as últimas compras ­ da Multivagas, de Campinas (SP), em 2012, e da Minas Park, em 2013 ­, a empresa assumiu uma posição de mercado que permite focar na expansão orgânica. “Somos agora os maiores operadores em todas as regiões. Nosso crescimento será orgânico, por meio de contratos de longo prazo em infraestrutura ou de grandes clientes”, afirmou. O crescimento da receita de 25% projetado para este ano e 2016 será, segundo Iasi, resultado do plano desenhado há três anos, com foco em projetos de infraestrutura. Esse foi o caso da operação no aeroporto de Salvador, que a Estapar assumiu em 2013, investindo R$ 32 milhões para operar o estacionamento do terminal aéreo soteropolitano por 20 anos. “Os contratos de longo prazo demandam mais investimento, mas permitem melhores margens e crescimento mais sustentável”, disse o executivo. A companhia está presente também em outros aeroportos, como os de Recife, João Pessoa e Vitória. Para fazer esses investimentos, a Estapar reforçou o caixa. No fim do ano passado a companhia recebeu aumento de capital, de R$ 200 milhões, do BTG Pactual. E no mês passado, emitiu R$ 260 milhões em debêntures simples, com prazo de cinco anos. “Em um momento de crise, tivemos provas de confiança de nosso controlador e dos bancos”, afirmou Iasi, que não detalhou os custos das debêntures. “Posso dizer que os papéis foram comprados por três bancos.” Outra aposta da Estapar para seguir crescendo 25% ao ano está nos contratos de grandes clientes, como o Grupo Pão de Açúcar (GPA), que acabou de acertar com a gestora de estacionamentos a operação das vagas de carros em 64 supermercados. “Nosso crescimento orgânico prevê ganhar até 80 novas operações a cada ano”, disse Iasi. Segundo o executivo, a Estapar vai fechar este ano com uma carteira de mais de 360 mil vagas, em 900 estacionamentos, que comportam uma demanda de 15 milhões de veículos por mês, em 75 cidades brasileiras. Segundo o presidente da Estapar, a companhia vai seguir elevando o percentual da receita gerada nas operações classificadas como de infraestrutura ­ que incluem as garagens de aeroportos e de Zona Azul nas cidades. Esse segmento de negócios já representa metade do faturamento do grupo. Há três anos, os contratos de longo prazo eram menos de 30% e as garagens tradicionais respondiam por 70%. “Também temos um grande potencial de expansão para crescer nas concessões de Zona Azul”, disse o presidente da Estapar, que opera hoje as vagas públicas para as prefeituras de 17 cidades ­ incluindo municípios como os de Piracicaba, Vila Velha (ES) e Juiz de Fora (MG). Essa unidade de negócio responde por cerca de 10% da receita da Estapar. A Estapar crê que depois dos corredores de ônibus e das ciclofaixas, o próximo passo das grandes cidades na busca por ganhos de eficiência na mobilidade urbana passa pelo aperfeiçoamento das vagas de rua. “A gestão correta gera rotatividade que aumenta o uso de uma mesma vaga”, afirma Iasi.

Valor Econômico – SP