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A receita para o crescimento

Diante da crise, franquias de alimentação apostam em aplicativos para entregas e em produtos mais saudáveis e frescos para manter em alta o apetite do consumidor

Erica Ribeiro
eribeiro@brasileconomico.com.br

Mesmo sendo um mercado que nos últimos anos apresentou franca expansão, o segmento de food service no Brasil — que cresce 8% ao ano, descontada a inflação, e movimenta o equivalente a R$ 132 bilhões, segundo dados apurados pela Food Consulting — enfrenta o desafio de encontrar novas formas de atrair o consumidor.

No caso das redes de franquias, ainda segundo dados da consultoria, a alta anual chega a 12,8%.

Para manter o ritmo, em um momento em que cerca de ummilhão de pessoas das classes D e E estão deixando de consumir fora do lar por conta do desemprego ou pela pressão inflacionária, segundo a KantarWorldpanel, investir em tecnologia, inovação, produtos prontos que tragam a percepção de valor agregado e que possam ser consumidos também em casa são as estratégias para manter a trajetória de faturamento que, nas redes de alimentação que atuam no franchising, chega a R$ 25,6 bilhões ao ano. Em 2005, esse segmento movimentava R$ 5 bilhões.

“Por competitividade, melhoras práticas e mais treinamento, as redes de franquias no setor de alimentação entregam melhor a sua proposta de valor do que o mercado de food service, que é menos organizado. A renda puxa esse crescimento, mas a percepção de valor também é um fator preponderante”, diz Sergio Molinari, sócio e fundador da Food Consulting.

Segundo Guilherme Scalco, executivo da área de Atendimento da Kantar Worldpanel, com a retração de consumo das classes D e E, a maior queda foi na venda de bebidas e sanduíches.

“Há a necessidade de criar mecanismos para que não só esta parcela da população, que no atual momento está mais endividada, siga consumindo. Para isso, o consumidor precisa ter percepção de valor nos produtos. Nesse período mais turbulento, investir na relação custobenefício é um caminho. O conceito de valor com produtos que tragam a percepção de saúde também são fatores que estimulam o consumo”, diz ele.

José Guilherme Aranha, CEO da rede de fast food Fry´s tem o desafio de mostrar que, apesar de o seu carro-chefe ser o hambúrguer, ele pode levar ao consumidor uma percepção de valor que o faça optar pela suamarca em detrimento das demais.

Aranha aposta no preparo de produtos e na adaptação ao gosto do freguês.

“Não é porque é comida rápida que precisa fazermal à saúde. Nosso foco é no preparo, com itens frescos. O alface é entregue no mesmo dia e não em pacotes com validade de sete dias.

A carne do hambúrguer é carne moída.

Não adicionamos ingredientes a mais ou conservantes.

Uma vez compreendido pelo cliente que ele está consumindo um produto que pode não ter o preço mais baixo mas é feito com ingredientes frescos, passamos a nossa mensagem de valor, de que o que ele paga é de verdade um hambúrguer”, assinala ele, que vai fechar o ano com 15 lojas abertas e faturamento em torno de R$ 20 milhões.

Marcos Nagano, diretor da rede de franquias 10 Pastéis, com 39 lojas e com planos de chegar a 50 em todo o país, afirma que, mais do que expandir, o foco da rede é na avaliação do perfil do consumidor.

“Estamos investindo no produto de nicho, com um custo baixo. Trabalhamos com um item que, à primeira vista, não passa o conceito de saudabilidade. Mas criamos uma linha de pastéis tostados na chapa e não fritos, que serve ao público que não consome frituras. Desenvolvemos uma linha de pasteis no estilo snack também e algumas inovações, como pastéis de chocolate, que atraem o público infantil. O caminho é sempre o de entender o comportamento do consumidor”, destaca ele.

Para fortalecer o relacionamento com os consumidores, o China in Box aposta no mobile para a criação de seu programa de fidelidade com o aplicativo Meu China in Box, disponível para Android e iOS.

A iniciativa envolve todas as 164 lojas da rede, espalhadas por 22 estados brasileiros, e é destinada aos pedidos feitos exclusivamente pelo delivery online.

“A expectativa é de que o uso desta ferramenta possa aumentar a participação de pedidos via internet e esse passe a ser o principal canal de vendas dos produtos China in Box”, afirma Mari Kaidei, diretora de Marketing do Grupo Trendfoods.

Desde que o cenário econômico ficou mais desafiador, o empresário Antonio Moreira Leite, presidente do grupo Trigo Franquias — que tem as marcas Spoleto, Koni e Domino´s Pizza —, vem percebendo, no caso específico da marca Domino´s um aumento na demanda pelos produtos da marca, sobretudo em regiões como o Nordeste e interior de São Paulo.

Nessas áreas, diz ele, apesar de o ticket médio de uma pizza da rede ser em torno de R$ 40, ela acaba sendo uma opção para quem precisa cortar custos.

“Temos observado também que a ida ao ponto de venda também acaba sendo uma característica de unidades da Domino´s em áreas mais populares ou cidades menores porque a ida à loja se tornou um programa.

Vimos isso acontecer mais recentemente em Americana (SP), onde abrimos uma loja da marca recentemente.

No entanto, ainda é no delivery que está o maior foco da marca, e é com isso que percebemos uma percepção de valor de boa parte dos consumidores”, explica ele, que há cerca de quatro meses lançou o e-commerce da Domino´s, onde o consumidor pode fazer o pedido e pagar pelo produto também pelo site.

Segundo Leite, hoje, 20% do sistema de delivery vem do e-commerce da marca.

Em julho, lançaremos o aplicativo da Domino´s, com foco neste consumidor que quer comodidade”, completa ele.

Além do investimento em expansão, o Grupo Trigo investe no controle de gastos e despesas, negociando com fornecedores para não repassar a alta de custos ao consumidor.

“É um desafio grande. Optamos por melhorar negociações, investir em bons produtos e ter lojas bacanas, mas não vamos entrar na guerra de preços, não acreditamos nesse modelo”, diz o executivo, que deve encerrar 2015 com 680 lojas e faturamento acima de R$ 1 bilhão, alta de 16% ante 2014.

O grupo Trigo está investindo ainda no segmento de casual dining com lojas próprias.

A marca escolhida foi a rede Gurumê, de comida japonesa.

A primeira foi aberta no Fashion Mall, esse ano, e a segunda será aberta na zona Sul do Rio, em local não revelado.

A outra novidade foi a aquisição de uma rede de delivery online de comida japonesa Gokoni, de Santa Catarina.

No Rio, duas lojas foram abertas, em Copacabana e no Leblon, ambas próprias.

O sistema funciona como o de aplicativos de táxi.

O cliente se cadastra, faz o pedido e recebe uma imagem de seu prato sendo preparado.

Na hora da entrega, recebe uma mensagem com o nome e a foto do entregador.

“Estamos remodelando as demais lojas de Santa Catarina para o nosso formato e queremos expandir em mais um sistema de atendimento que acreditamos que vai crescer bastante”, diz Leite, sem detalhar a operação.

Brasil Econômico – SP

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