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Governo prepara plano de proteção ao emprego, informa Dias

25/05/2015 ­ 05:00

Por Dauro Vegas

O governo pretende lançar um Programa de Proteção ao Emprego para evitar demissões em alguns setores estratégicos da economia, disse na sexta-­feira, em Florianópolis o ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias. Segundo a proposta, as empresas em dificuldades poderiam reduzir temporariamente os salários em torno de 30% e receberiam 20%, por meio do Tesouro ou do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Em contrapartida, elas se comprometeriam a manter o vínculo empregatício. “O projeto vai ser proposto em breve por Medida Provisória”, afirmou o ministro, acrescentando que o programa será resultado de um consenso do fórum tripartite envolvendo governo, empregadores e trabalhadores, que a presidente Dilma Rousseff anunciou no dia Primeiro de Maio. Inspirado em um programa semelhante do governo alemão, o PPE deve incluir o setor automobilístico e “talvez o metalúrgico”, entre outros, afirmou Dias. Sua duração será de seis meses, prorrogáveis por mais seis, explicou ele. Na sexta­feira, o Ministério do Trabalho anunciou, com base nos dados do Cadastro Geral de Admitidos e Demitidos (Caged), que em abril foram fechados 97,8 mil postos de trabalho formais. O resultado veio muito pior que o esperado, disse Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria, e mostrou que o ajuste na mão de obra está ocorrendo mais rapidamente do que o previsto.

“Essa deterioração mais forte vai resultar em previsões mais pessimistas para o mercado de trabalho. Nosso cenário contava com uma piora mais gradual”, disse Alessandra. A consultoria trabalhava com geração líquida positiva de 45 mil vagas com carteira assinada para o mês passado. De acordo com dados do Caged, apenas em 1992 (primeiro ano da série) foi registrado saldo negativo no mercado de trabalho formal em abril. De acordo com Alessandra, ao contrário dos dados do início do ano, afetados pelo Carnaval, não há nenhum fator atípico que explique o maior número de demissões em abril. “Sabemos que o mercado de trabalho reage com defasagem à atividade e viemos de um quadro de estagnação”, ponderou ela. As estatísticas do Caged mostram um movimento generalizado de fechamento de postos de trabalho, com raras exceções setoriais ou regionais.

No mês passado, a indústria fechou 53,8 mil vagas, seguida pela construção civil (­23 mil vagas), comércio (­20,8 mil vagas) e serviços (­7,5 mil vagas). Nos subsetores de serviços, o segmento que envolve atividades imobiliárias cortou 19 mil postos de trabalho e o segmento de alojamento, hospedagem e reparação fechou 7 mil vagas em abril. Os dados do Caged mostram uma aceleração na tendência de aumento das demissões. Nos 12 meses encerrados em abril do ano passado, o país abriu 885 mil novas vagas com carteira de trabalho assinada, mas neste abril o saldo já é de fechamento de 263 mil postos de trabalho. A indústria passou de 49 mil vagas abertas nos 12 meses encerrados em abril de 2014 para 308 mil demissões líquidas em abril deste ano. O saldo do setor de serviços ainda é positivo, mas passou de 529 mil abertos nos 12 meses até abril do ano passado para 259 mil novas vagas até abril deste ano. (Colaboraram Arícia Martins e Denise Neumann, de São Paulo)

Valor Econômico – SP